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Publicado em 2 de Março de 2020

Neste primeiro de março, a cidade do Rio de Janeiro completou 455 anos de fundação. O Rio é uma das maiores cidades do mundo, onde milhões de pessoas, entre moradores e turistas, dependem todos os dias dos serviços públicos mais básicos, como saúde, educação, segurança e trabalho. Onde existe um das maiores redes públicas de educação e de saúde universal. Para ficar em apenas dois números: são mais de 170 mil funcionários apenas da Prefeitura e mais de 620 mil alunos apenas na rede municipal de educação.

A Câmara Municipal, onde hoje trabalham os vereadores da cidade, foi fundada junto com a própria cidade, em 1565 - sendo assim, a mais antiga instituição "pública" do Rio. (Expressão entre aspas porque, quando no século XVI, ainda não havia essa noção moderna que temos de público e privado). A Prefeitura é bem mais recente, já do período republicano. Nestes séculos todos, portanto, centenas de milhares de cidadãos do Rio já foram funcionários públicos da cidade, incidindo diretamente no futuro, no presente e também na memória deste espaço. 

Nas ruas da cidade, é comum encontrar cidadãos insatisfeitos com a prestação dos serviços públicos, quase sempre insuficientes para a grande demanda de uma população empobrecida. Por outro lado, dentro de instituições públicas, é fácil encontrar profissionais públicos que fazem do trabalho público suas missões de vida, com esforço, para que o serviço público carioca seja melhor.

Líderes cariocas

Neste março, também, faz aniversário o programa Líderes Cariocas, um projeto preocupado em melhorar os serviços públicos através da gestão e liderança de profissionais municipais. São 8 anos de vida. 

O Líderes Cariocas é uma das frentes do Instituto Fundação João Goulart,  que tem como missão desenvolver  líderes e gestores públicos. O programa foca em fomentar, identificar e capacitar profissionais públicos que tenham vontade de conquistar posições de liderança na Prefeitura do Rio. Hoje o programa desenvolve 164 profissionais, ingressados através de um processo seletivo. O trabalho com os aprovados acontece por meio de debates sobre gestão pública, liderança e temas atuais, coaching e até formações internacionais.

Ana Lescaut: "tem que dar retorno em algum projeto para a cidade".

Ana Lescaut é um dos casos que demonstra o potencial do programa para desenvolver gestores públicos. Antes de entrar para a Fundação, trabalhava como coordenadora de Desenvolvimento de Pessoas da Secretaria Municipal de Saúde. Em um processo seletivo interno, foi aprovada para o cargo de Gerente e hoje é própria Presidente da Fundação.“Minha escolha sempre foi o serviço público. Eu passava em frente à prefeitura e falava: eu vou trabalhar aqui.”

A presidente da Fundação também destaca que o desenvolvimento contínuo dos profissionais públicos tem o objetivo central de oferecer melhores serviços à população:

“O Líderes Cariocas hoje tem 10 projetos em andamento. Um deles é estudar a adesão do filtro de barro entre famílias mais vulneráveis, porque isso melhora a sua qualidade de vida, saúde e reduz o nível de atendimento de saúde dessa família. E a gente contribui também para a melhoria social daquele espaço. É um projeto que tem alguns líderes debruçados. O "Líderes" não vem apenas para se desenvolver, ele tem que dar retorno em algum projeto para a cidade.”

Daniel Mancebo: "plano que perpasse gestões" 

Daniel Mancebo adora andar na cidade, principalmente na zona norte, onde novas edificações e espaços de lazer vêm surgindo. O geógrafo que tem 20 anos de serviço público e 10 de prefeitura do Rio. Hoje é Coordenador Geral do Escritório de Planejamento, estrutura ligada à Subsecretaria de Planejamento e de Acompanhamento de Resultados da Casa Civil. Daniel trabalha para a cidade, integrando as secretarias no que se refere a um planejamento de longo prazo. Para o profissional, que também é Líder Carioca, neste aniversário da cidade, é necessário pensar e trabalhar com a agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), um plano de ação global focado em um planeta mais sustentável.

“Nosso desafio é estruturar um plano que perpasse gestões. A cidade tem que olhar pra frente. A gente tem compromissos importantes, que vêm sendo desenvolvidos  em linha com discussões mundiais. Discussões de mudança de paradigmas, de como encaramos desigualdades, a pobreza. Precisamos incutir na população mais reflexões sobre suas práticas, de como as ações podem ser mais sustentáveis. A gente vem encarando esse desafio com muita força, porque um dos pontos centrais são as mudanças climáticas. A cidade vem se comprometendo em neutralizar suas emissões de gás de efeito estufa, de aumentar os seus transportes limpos, aumentar suas áreas verdes.”

Paula de Oliveira: "porta sempre aberta"

Paula de Oliveira já morou em diferentes regiões do Rio de Janeiro; Cachambi e Méier, na zona norte; Santa Teresa, na região central; Botafogo e Leblon, zona sul da cidade; e Barra, na zona oeste. Recentemente a arquiteta também descobriu uma nova paixão: a Praça Tiradentes, um dos corações do centro do Rio. E não foi à toa, a profissional pública, que trabalha há 12 anos na Prefeitura do Rio, atua junto ao Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPDH), é Coordenadora do Centro Carioca de Design (CCD), um charmoso sobrado histórico que abriga seminários, exposições e discussões sobre questões urbanas.

“Eu acho que a gente tem uma missão de deixar a porta sempre aberta”

Antes de entrar para o serviço público, Paula trabalhava na iniciativa privada e confessa que tinha certo preconceito em relação ao serviço público. Hoje gosta de seu trabalho e valoriza a importância do Programa Líderes Cariocas para os servidores da prefeitura do Rio:

"É essencial olhar para o servidor, primeiro porque a gente se sente valorizado. Então ter um ambiente que te permita evoluir é super importante. Eu tive a oportunidade de fazer um curso em Paris, em Nova York e na COPPEAD da UFRJ. Tive a oportunidade de apresentar o que a gente tá desenvolvendo. Às vezes, a gente nem tem noção de que está fazendo uma coisa inovadora. Esse tipo de oportunidade é muito estimulante. Isso mantém acende a chama, renova os votos’’

Maurício Sacramento: "satisfação de servir".

Maurício Sacramento é um  "carioca da gema" - termo utilizado para referir-se a nascidos e criados na cidade do Rio. Nasceu, cresceu e ainda mora na zona norte, no bairro de Piedade.

"Na minha rua tem tudo que você possa imaginar, tem bar, restaurante, supermercado, transporte para qualquer lugar, tudo! Na minha juventude eu saía de casa, pegava o ônibus na porta, um final de semana queria ir pra praia da Barra tinha o ônibus 690. Se eu quisesse ir pra Ipanema eu pegava o 457, rodava a cidade toda. À noite ia curtir um pagode em Madureira, queria curtir um charme ia para Marechal Hermes, um rap, ia pro Viaduto, uma boate, ia pra zona sul." 

O carioca também é profissional público da prefeitura há 17 anos. Hoje trabalha na Coordenadoria de Manejo Arbóreo, ligada à Companhia Municipal de Limpeza Urbana (COMLURB). Também é líder carioca e um apaixonado pelo trabalho no serviço público:

"O que me apaixona é essa capacidade de estar em todos os lugares e momentos da cidade e a satisfação de servir. A Comlurb está em todos os momentos da cidade: felizes e tristes. No carnaval estamos lá, mas também nas grandes chuvas."

Através do programa, Maurício Sacramento também já teve e a oportunidade de representar a COMLURB num congresso em San Diego, na Califórnia. 

Michelle Valadão: "Potencial de projetos inovadores"

Michelle Valadão é apaixonada pela educação e sonha em acabar com o mito de que estudantes do ensino público da cidade do Rio não são capazes de estudar e aprender sobre língua estrangeira - ou "língua adicional", como a profissional pública preferiu utilizar. Em 2018, através de um processo seletivo interno realizado pelo Líderes Cariocas, a professora saiu da sala de aula e tornou-se assessora na área de Coordenação de Ensino Fundamental. Hoje trabalha com educação bilíngue:

"Acredito muito no potencial da Secretaria Municipal de Educação em desenvolver projetos inovadores que atraiam estudantes para novas perspectivas. Aprendizagem de línguas é aprendizagem de outra cultura."

Renato Teixeira: “Eu costumo dizer que trânsito é uma coisa viciante”

Renato Teixeira é profissional público do Centro de Operações Rio (CET-Rio) desde 1992. No início, atravessava o estado para vir trabalhar na Prefeitura do Rio. Quando casou, se mudou para a capital. Renato foi criado em Nova Iguaçu, Baixada Fluminense. Desde a faculdade de engenharia civil na UERJ sabia que queria trabalhar com trânsito. 

“A vantagem de trabalhar com trânsito é que você conhece a cidade na palma da mão. Você passa a entender até porque certas coisas não dão certo.”

Enquanto profissional público, Renato também se sente frustrado em relação ao potencial não aproveitado da cidade. 

“O que ficou do legado Olímpico? Toda energia que nós servidores colocamos, a própria empolgação da população. Eu limpo esse chão todo dia e ele não está brilhando. Essa cidade tem um potencial muito grande! (...) Mas eu continuo aqui porque sou muito idealista, quero dar o melhor de mim para que as coisas mudem. A gente não tem o alcance de mudar toda a situação, mas dentro do que temos, precisamos fazer o melhor.”

Estas pessoas e profissionais são Líderes Cariocas da primeira turma. Ingressaram em 2012 e deixarão o programa este ano, devido ao tempo de permanência. O programa abrirá um novo processo de seleção no fim deste ano. Para saber mais sobre o programa e forma de ingresso acesse: https://www.rio.rj.gov.br/web/fjg/liderescariocas













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