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Publicado em 26 de Setembro de 2019

Queremos reconhecer a importância da atuação de profissionais públicos e seus impactos na vida das pessoas. Para dar início a uma série de publicações com objetivo de fomentar a cultura de reconhecimento no serviço público, vamos falar da Lidera Mulher, iniciativa para promoção de igualdade de direitos e oportunidades, realizada por profissionais públicas do município de São Gonçalo no Rio de Janeiro.  

A Lidera mulher  proporciona capacitação para mulheres empreendedoras em São Gonçalo, onde apenas um terço dos novos negócios de 2012 foram criados por mulheres, sendo que seu lucro representava apenas 89% do lucro médio dos negócios masculinos. (ICE, 2015). Percebendo a ausência de incentivos e a necessidade da criação de uma política pública com viés no empreendedorismo e foco na mulher, Paola Figueiredo idealizou e gere um programa que tem como objetivo diminuir o alto número de informalidade no trabalho exercido por mulheres empreendedoras no município e auxiliá-las em suas produções nos eixos de moda, beleza, artesanato e gastronomia.

 

"Nos concentramos nesses eixos e começamos a fazer uma capacitação em parceria com o SEBRAE, que realizava oficinas ensinando como cuidar do dinheiro, investir e empreender", explica Paola.

Paola Figueiredo é mestre em Antropologia (UFF), vice-presidente do Instituto de Previdência e Assistência dos Servidores Públicos na Prefeitura de São Gonçalo. Ela é uma das profissionais públicas que integra a Rede República e o programa Columbia Women's Leadership Network in Brasil, do Columbia Global Centers-Rio, onde  apresentou a ideia do projeto para as colegas da turma e ganhou valiosos conselhos das participantes em seu afinamento. 

“Quando nós mulheres olhamos para nossas realidades e nos dispomos a conhecê-las e compreendê-las, a gente consegue fazer a diferença. É preciso entender por que essas mulheres trabalham na informalidade, e para isso, precisamos ter conversas mais profundas a respeito da realidade experimentada por cada uma de nós”, comenta a gestora.

Em uma média de três meses de imersão, essas mulheres participam de diversos encontros com capacitações, palestras e rodas de conversa. Além disso, o projeto conquistou um espaço físico para exposição dos trabalhos dessas empreendedoras, um pontapé inicial valioso para início de uma rede de consumo. Através do empoderamento de cada uma das participantes, a construção coletiva de consciência de produção e possibilidades aparece naturalmente. 

“Foi ouvindo, conhecendo e nos reconhecendo, uma na história da outra, que criamos o laço de empatia e de força que nos une, e faz com que a gente queira se encontrar e se fortalecer juntas até hoje”. Patrícia Gomes de Mattos, empreendedora e participante da Rede Lidera Mulher.

Em paralelo as capacitações práticas, uma equipe técnica de psicólogas e assistentes sociais realizam o acompanhamento da gestão da saúde mental de todas mulheres participantes do programa, 

“O projeto é um instrumento de transformação social, a medida em que vai além de empreender. Promove um movimento significativo das participantes, dando visibilidade, impactando positivamente e oferecendo uma nova perspectiva de vida”, explica Lucimare Sobral, assistente social do projeto.

Dando início a sua sexta turma, a iniciativa já cultiva frutos de movimentos liderados por mulheres na cidade, e confirma a suspeita da coordenadora que se arrisca a dizer que o programa impactou a vida de todas as mulheres envolvidas no processo, incluindo a si mesma. 

“O projeto foi de grande importância para todas as mulheres que participaram do Lidera. Elas passaram a ocupar novos espaços de forma mais ampla e mais reconhecida. Conquistaram sua independência e afirmação feminina, reforçando assim sua autoestima. Foi muito gratificante ver o crescimento global, emocional e profissional de cada uma, e assim, da rede como um todo”,  Kátia Marins, psicóloga atuante na iniciativa.

Esse é apenas um exemplo do serviço público que impacta positivamente a vida das pessoas. Para além da gestão e empoderamento de mulheres na construção de suas realidades e perspectivas, o projeto é a concretização de uma política pública que investe na qualidade da troca e união de conhecimentos, na construção e fortalecimento de redes que se constroem e se auto nutrem através do conhecimento, conexão e cuidado. Nas palavras de Paola Figueiredo: “eu sou uma dentre milhares”. 

 

Texto por Fabíola Bueno, jornalista freelancer.


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