Desigualdade de gênero marcou a primeira edição do Concurso Nacional Unificado, aponta especialista

Publicado em: 30 de julho de 2025

Coordenadora de Dados da República.org, Paula Frias analisa a segregação entre homens e mulheres nas áreas de atuação do setor público com base nos resultados do CPNU

Por Larissa Guimarães — Especial para a República.org

A primeira edição do Concurso Público Nacional Unificado (CPNU) evidenciou uma desigualdade persistente na ocupação de cargos públicos por homens e mulheres, sobretudo em áreas consideradas mais técnicas e de maior remuneração. A avaliação é de Paula Frias, coordenadora de Dados da República.org, organização que atua no fortalecimento do serviço público no Brasil.

“O cenário observado na primeira edição do CPNU evidencia a urgência de debatermos a segregação horizontal entre homens e mulheres no setor público e de pensarmos em estratégias concretas para transformar esse panorama”, afirma Frias.

A chamada “segregação horizontal” refere-se à distribuição desigual de homens e mulheres em diferentes áreas de atuação, mesmo quando os cargos ocupados têm níveis hierárquicos semelhantes. Segundo a especialista, essa separação não apenas reforça estereótipos de gênero, mas também amplia as disparidades salariais no serviço público.

Candidatas aguardam a abertura dos portões para o CPNU, em São Paulo. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil.

Áreas sociais concentram presença feminina, mas pagam menos

Dados do CPNU, que foram analisados pela República.org, reforçam essa realidade. No bloco 2, de Tecnologia, Dados e Informação, apenas 8,4% das pessoas aprovadas foram mulheres. Já no bloco voltado a setores econômicos, a presença feminina foi de 25,7% — a segunda pior representação entre os blocos. No primeiro caso, as maiores vagas estavam concentradas no cargo de Analista em Tecnologia da Informação (ATI), com 300 vagas e remuneração inicial de R$ 11.150,80. No bloco econômico, o destaque foi o cargo de Analista de Comércio Exterior (ACE), com 50 vagas e salário inicial de R$ 20.924,80.

É urgente debatermos a segregação horizontal entre homens e mulheres no setor público.

Paula Frias, coordenadora de Dados da República.org

Por outro lado, o bloco de Educação, Saúde, Desenvolvimento Social e Direitos foi o único com maioria feminina: 60,3% dos aprovados eram mulheres. A maior oferta de vagas nesse grupo foi para o cargo de Analista de Políticas Sociais (ATPS), com 460 oportunidades e salário inicial de R$ 8.336,82 — podendo chegar a R$ 9.181,42.

Para Paula Frias, a reserva de vagas para mulheres prevista na segunda edição do CPNU é um passo importante, mas insuficiente se não vier acompanhada de mecanismos eficazes de acompanhamento. “A reserva pode contribuir para melhorar esse quadro, mas é fundamental ter um monitoramento dessas ingressantes, tendo em vista que a reserva de vagas será apenas em uma das fases e não entre os ingressantes”, ressalta.

Segundo a coordenadora, garantir o acesso é apenas parte da equação. É preciso assegurar também que mulheres permaneçam e avancem em áreas onde ainda são minoria, o que exige políticas de incentivo, formação e ambiente institucional livre de discriminação.

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